Por Geraldo Melo
Fui buscar no velho baú essa imagem. Tancredo
Neves, Henrique Eduardo e eu, em nossa casa.
Ambos olhávamos para Tancredo como o nosso
Presidente, o instrumento que os brasileiros estavam usando para reinaugurar a
nossa democracia. Não podia imaginar que, diante de mim, estava alguém mais,
que um dia se sentaria — mesmo que brevemente — na cadeira de Presidente da
República.
Tancredo Neves ao centro, ladeado por Geraldo Melo e
Henrique Alves no início dos anos 80 (Arquivo Geraldo Melo)
Tancredo Neves ao centro, ladeado por Geraldo Melo
e Henrique Alves no início dos anos 80 (Arquivo Geraldo Melo)
Não encontrei as palavras adequadas para descrever
a emoção que nos causou — a Edinólia e a mim — este momento da vida de
Henrique. Não pude deixar de rever daqui, da minha distância e do meu
recolhimento, os caminhos que percorremos juntos, as mãos que juntos apertamos,
os abraços que juntos recebemos, as casas humildes que visitamos, as estradas,
as avenidas e os becos, o grande itinerário de vidas que tiveram grandes
momentos lado a lado, que sonharam juntos com o Brasil, com o Rio Grande do
Norte, com a liberdade que por alguns anos perdemos, com a prosperidade para o
nosso povo, com o desafio da miséria e da injustiça a ser enfrentado.
Fico pensando em Aluizio, em Ivone. Se, como diria
Camões, “lá no assento etéreo onde subiram, memória desta vida se consente”,
imagino o que estarão sentindo.
Sei que “ninguém é profeta em sua terra”, mas, quem
sabe, agora comecem a fazer justiça a Henrique.
Geraldo Melo é ex-senador e ex-governador do Rio
Grande do Norte.
* Texto e foto originalmente publicados em endereço
próprio do autor no Facebook.

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