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sábado, 29 de março de 2014

A educação Japiense, por Antoniel Medeiros

Antoniel Medeiros
Caro amigo de Japi: se você, ao observar a extensão deste texto, não o considerou longo, ou, apesar de considera-lo volumoso, possui “disposição” suficiente para lê-lo por completo, meus sinceros parabéns! Você faz parte de um seleto grupo de pessoas de nossa cidade!

Não é segredo para ninguém que a educação do nosso povo não é das melhores, tanto que alguns jovens, ao invés de usarem a escola como espaço de estudo, a utilizam como alvo de roubo, incêndio e pichação. Mas, não culpemos somente os meninos, dividamos a culpa com estes pobres sem instrução... também somos culpados.

Esta semana fui à casa do meu pai pegar alguns livros da faculdade que lá estavam em razão da mudança que fiz após minha formatura. Quando estava transportando meus livros na rua as pessoas me olhavam como se estivesse carregando um cadáver... os olhares impressionados me rodearam, demonstrando assim que é incomum que alguém caminhe com livros pela cidade.


Certa vez estava com um amigo advogado de Caicó e comentávamos que a educação do povo se mostra através do trânsito: e é a mais pura verdade. A educação mostra sua face nas mais diversas frentes: na saúde, na segurança, nas baixas taxas de desemprego e, também, no trânsito.

Quando trazemos essa questão para Japi chegamos à seguinte conclusão: o Código Nacional de Trânsito vale para o Brasil inteiro- menos para Japi! Aqui os menores de idade dirigem da maneira que querem- maiores não habilitados também. Se algum motoqueiro estiver de capacete, das duas uma: ou vem de outra cidade, ou é um idiota qualquer. Dirigir sob efeito de álcool? Por que não? Aqui é normal! E pra piorar a situação, há quem diga que numa cidade pequena como esta não é necessário o respeito ao Código de Trânsito. Daí eu pergunto: e quem disse que precisa ser necessário? Lei é lei, deve ser respeitada e ponto- até que o legislativo ou o judiciário digam o contrário.

Todavia, no trânsito, a falta de educação não se mostra apenas nos que estão motorizados (antes fosse!). Não façamos injustiça, pois o trânsito não se faz apenas com carros e motos, se faz também com pedestres. Quem dirige já sabe do que vou falar: quando se está a 100 metros do indivíduo que ocupa o meio da rua quando há uma linda calçada varrida e bem cuidada ao lado; você usa a buzina e o cidadão finge que não ouve; a 50 metros, a buzina é acionada novamente, e nada... você desvia um pouco o carro/ moto para não se chocar com o indivíduo e ainda é observado com o olhar de reprovação de quem foi incomodado caminhando na SUA rua.

Vivemos em sociedade e nela há a necessidade de percepção do outro: é a educação que aprimora essa percepção, e esta é plenamente demonstrada no trânsito. Mas, o CNT não é a única lei transgredida aqui... na nossa terrinha também se ouve som da maneira que se quer (e é esse o maior vilão de quem deseja realmente estudar). Aqui se desrespeitam escolas, se desrespeitam igrejas e se desrespeitam os cidadãos.

Desta maneira, termino esse texto com uma pergunta que mescla os assuntos trânsito e poluição sonora. A partir deste ano são obrigatórios freios ABS e airbags para os automóveis. A mudança trás mais segurança para os usuários dos carros, entretanto, encarece um pouco o preço destes. Se houvesse a oportunidade de escolha entre estes itens e um paredão de som bastante potente, o que a maioria dos nossos japienses escolheria?