O
Brasil deve começar em 2015 a vacinação contra a meningite do tipo B, de acordo
com expectativa da presidenta da Comissão de Revisão de Calendários da
Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), Isabella Ballalai. Ela explicou que
a doença meningocócica é a causa mais comum de meningite bacteriana no Brasil,
que “tradicionalmente é um campeão neste tipo de enfermidade na América
Latina”, e os estados do Rio de Janeiro e de São Paulo são os que registram as
maiores incidências. Dados do Ministério Saúde registram 1,54 episódio para
cada grupo de 100 mil habitantes em 2013.
Segundo
Isabella Ballalai, até 2010 o meningococo [bactéria causadora da doença] do
tipo C era responsável por 80% de meningites no país. A partir daí, com a
vacinação em crianças com menos de 2 anos, determinada pelo Ministério da
Saúde, os casos diminuíram, embora o vírus ainda circulasse em maiores de 4 ou
5 anos de idade, nos adolescentes e nos adultos. A médica acrescentou que para
a faixa com imunidade, o vilão passou a ser o meningococo do tipo B.
“Era
o inimigo número dois e passou a ser o primeiro causador da doença
meningocócica. Então, a vacina do tipo B, junto com as que já existem nos tipos
A, C, W e Y é a expectativa de prevenir os tipos de doença meningocócica que
circulam entre nós. A gente espera ter esta vacina em 2015”, revelou Isabella à
Agência Brasil.
Segundo
a SBIm, a meningite tem tratamento específico, mas, apesar disso, uma em cada
grupo de cinco pessoas infectadas não resiste à doença. Entre os que
sobrevivem, de 10% a 20% têm sequelas neurológicas, e outros ainda podem ser
acometidas com problemas de surdez ou mesmo casos de amputação de membros.
A
vacinação contra meningite B será um dos assuntos em debate na 16ª edição da
Jornada Nacional de Imunizações, promovida pela SBIm. O encontro, que começa
amanhã (10), no hotel Royal Tulip, em São Conrado, zona sul do Rio, e termina
no sábado (13), terá como tema Perspectivas para os Próximos 10 Anos. Haverá
uma sala para discutir especificamente os resultados obtidos na área.
Para
Isabella Ballalai, apesar de o Brasil ter um programa vacinal de imunizações
considerado um dos melhores no mundo, não pode deixar de lado o controle de doenças
em adultos. É preciso ter cobertura vacinal além da infância para evitar que
doenças controladas atualmente, como a poliomielite, retornem ao país, e
adiantou que o Ministério da Saúde deve anunciar, em novembro, a vacinação de
gestantes contra a coqueluche.
“Hoje,
as doenças imunopreveníveis estão bem controladas na infância, e a gente sabe
que muitas das vacinas não vão proteger para o resto da vida. A expectativa de
vida só aumenta, e pretendemos que o tempo maior de vida seja com qualidade. As
doenças infecciosas são as que mais matam, depois das cardiovasculares. Hoje,
com as vacinas em idosos, contra a influenza [gripe] a gente consegue resultado
até mesmo para doenças cardiovasculares. São estratégias que temos que
discutir. Como chegar ao adulto e chamar os idosos para as salas de vacinação
para que tenham proteção a longo prazo”, analisou.
No
encontro, as principais referências na área vão discutir desde a situação das
doenças preveníveis por vacina ao desenvolvimento de imunobiológicos. “A gente
já conhece os resultados, até hoje muito bons, conseguidos com a vacinação; a
gente tem muita coisa a crescer, e hoje vivemos uma situação de conforto com a
ausência das doenças imunopreveníveis e a necessidade de atingir outras faixas
etárias nos próximos anos”, disse a médica da SBIm.
A
jornada vai debater também a vacinação contra a dengue, e de acordo Isabella,
os testes da vacina indicam redução de 60% da doença e queda de 80% dos casos
de hospitalização. “Se a dengue é um problema, o maior é a dengue grave, que
hospitaliza e mata, e a gente tem perspectiva de 80% de redução. É uma vacina
que a gente também espera para 2015 e torce muito para que chegue”, contou.
Outra
discussão importante vai ser o debate sobre a vacina contra o vírus
Varicela-zoster, causador do herpes-zóster, popularmente conhecido como
cobreiro. A vacina foi aprovada pelo Ministério da Saúde e está disponível em
clínicas privadas. De acordo com a médica, a prevenção pode evitar também o
acidente vascular cerebral.
Agência
Brasil
Nenhum comentário:
Postar um comentário
ATENÇÃO LEITOR: O Blog não se responsabiliza pelas opiniões e comentários. Em geral, o nosso Blog não analisa nem endossa o conteúdo dos comentários, principalmente os comentários postados pelo Facebook; Não permitimos o uso de linguagem ofensiva, spam, fraude, discurso de violência, comportamento violento ou negativo, conteúdo sexualmente explícito ou que invada a privacidade de alguém.
IMPORTANTE: Este Blog aceita comentários anônimos mas repudia a falsidade ideológica. Recomendamos aos leitores utilizarem o seu nome, sobrenome e e-mail (caso tenha algum), dos quais sejam legítimos para identificação.
Seu comentário será enviado para o moderador.