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sexta-feira, 15 de maio de 2015

Asas e raízes

Por: Maciel Marílio

Certa vez li em um almanaque antigo, o seguinte provérbio: “Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. O provérbio é de certo modo um paradoxo. Asas nos dão liberdade, raízes fixam os nossos pés no chão. Se nos fosse dado a escolher entre asas ou raízes, certamente escolheríamos a primeira. O sonho maior de todo menino sempre foi voar. Em outras palavras, queríamos alcançar o inalcançável, ir além do horizonte, viajar para lugares distantes. Enfim, alcançarmos a felicidade. Quem experimenta asas, dificilmente lembra-se das raízes. Esse é o risco, pois, voar requer condições favoráveis. E, quando não temos estas condições, devemos lembrar que é hora de pôr os pés no chão. É aí que precisamos de raízes. Nelas, descobrimos acima de tudo, segurança. Família é uma raiz forte. Outra raiz é o lugar em que nascemos, nos criamos e crescemos. É desta raiz que gostaria de falar. É o lugar em que falamos que é nosso. É o meu lugar. Na verdade, é algo umbilical. Dizemos que é nossa cidade, os outros dizem que nós quem somos dela. Já morei em várias cidades diferentes, mas nenhuma delas consegue fazer com que eu me sinta realmente pertencente ao lugar. Há algumas cidades no país e no mundo em que eu gostaria de morar (pelas facilidades), mas para viver, a cidade ideal é a que eu nasci e me criei. Isso é espantoso. É como se fôssemos responsáveis pela nossa cidade, queremos bem. Não seria espantoso se não tivéssemos raízes nenhuma. É o lugar em que demos nossos primeiros passos, aprendemos as primeiras palavras, formamos os nossos amigos que serão lembrados para a vida toda, tivemos nossa primeira professora, demos trabalho para nossas mães, jogamos bola em campo de poeira, tibungamos em águas barrentas de açudes e rios e tivemos nossa primeira namorada. É isso que nos une como um laço e nos cativa para o resto de nossas vidas. É isso que torna nossa cidade especial e mais importante que qualquer outra. Que outro lugar poderia nos marcar tanto a ponto de esquecermos as nossas raízes? Sinceramente, não acredito que haja. Isso é afeto, carinho, amor pelo nosso lugarzinho. É a nossa casa. É o lugar que nos acolhe como nenhum outro. É preciso que saibamos que as cidades não nasceram por si. É uma invenção humana como qualquer objeto, como uma cadeira, uma mesa, uma televisão, uma roupa. Com uma diferença para esses objetos inanimados, as cidades nascem e algumas vezes, morrem. O desejo é que nossa cidade cresça, desenvolva-se e seja o lugar em que cada um de nós possa viver todos os dias de nossas vidas. Para isso, precisamos ter um compromisso com ela. Um compromisso de responsabilidade. Como é a cidade que queremos pra daqui a 20 anos? É mais moderna, tecnológica, sustentável, com menos violência e mais educação? Todos nós temos que pensar sobre isso. Essas ações só poderão ser implementadas quando toda a sociedade se unir. Nossa terra querida é maior que as disputas políticas locais. Precisamos de políticos modernos e comprometidos com o desenvolvimento local. Enquanto esse momento não chega, os que estão aí, em lugar de disputarem espaço para saber quem manda mais ou pode mais, haveriam de se unir, em espírito cívico, pelo bem de Japi e da sociedade à qual servem. É impressionante o tempo e o dinheiro que se perde cultivando vaidades e caprichos no âmbito de uma política mesquinha, em vez de ceder espaço à eficiência de uma administração moderna e abrangente, onde todos participem e contribuam para que o nosso lugar seja de fato o melhor do mundo. A população precisa participar ativamente de uma governança pública de classe municipal e regional sustentada em um processo democrático consolidado. Construamos uma cidade de referência regional e até estadual, onde pessoas, empresas e governo municipal estejam organizados e conectados, sustentando o desenvolvimento humano. Precisamos traçar metas claras. Que toda a sociedade organizada faça de sua cidade uma referência na educação de cidadãos produtores de conhecimento e criadores de uma sociedade empreendedora de soluções inovadoras e sustentáveis. A ideia é elevar a qualidade da educação, dar oportunidades para que as pessoas desenvolvam suas aptidões e tenham acesso à cultura. Você que é jovem, divulgue suas ideias para as políticas públicas. Ao poder público: para se elevar a qualidade de vida na cidade, é preciso melhorar a saúde, acessibilidade e segurança de seus cidadãos. É prioridade fazer de Japi um ambiente que contribua para a alegria, o sucesso e a satisfação da população. Isso não é utópico nem irrealizável. É perfeitamente possível. “Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. Infeliz será aquele que apenas tiver um dos dois. Parabéns para nossa querida cidade Japi e para todos nós japienses que nos orgulhamos de pertencer a esse pedacinho de chão.

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