O
Estado de S. Paulo
A
fase crucial da Operação Lava Jato, que mira deputados, senadores e até
governador, faz crescer a expectativa sobre novas delações premiadas. Agora,
são os políticos que poderão escolher o atalho da colaboração para evitar uma
eventual ordem de prisão. Advogados de alguns alvos do procurador-geral da
República, Rodrigo Janot, já admitem reservadamente essa possibilidade.
A
investigação sobre o vasto esquema de corrupção e propinas na Petrobrás levou,
por enquanto, doleiros, empresários e até um ex-diretor da Petrobrás a firmarem
compromisso de contar o que sabem. Ante o risco de passarem larga temporada
atrás das grades, 15 investigados romperam o silêncio e abriram a caixa de
segredos do cartel que se apossou dos maiores contratos da estatal.
O
ex-diretor de Abastecimento da estatal Paulo Roberto Costa e o doleiro Alberto
Youssef, em seus relatos, apontaram envolvimento de parlamentares e autoridades
do Executivo, o que fez a Lava Jato chegar ao Supremo Tribunal Federal.
Antes
alvo de hostilidades entre a maioria dos advogados de prestígio e tradição, o
instituto da delação premiada praticamente tornou-se a regra no escândalo que
abala a estatal.
Agora,
alguns dos principais nomes da advocacia brasileira estão aderindo a esse
expediente para garantir a liberdade de volta a seus clientes. Pela via
habitual do direito processual, os clientes, mergulhados em petições, habeas
corpus e outros recursos, estão sem perspectiva de sair da custódia da Polícia
Federal em Curitiba.
Dois
altos executivos da Camargo Corrêa, há quase 115 dias presos, decidiram
colaborar com a Justiça Federal em troca de benefícios penais: Dalton Avancini
e Eduardo Leite, que cumprem prisão preventiva desde 14 de novembro de 2014. A
empreiteira não participou das negociações.
A
colaboração dos dirigentes da construtora está sendo coordenada pelos
criminalistas Pierpaolo Bottini e Marlos Arns. A defesa de Eduardo Leite, no
processo criminal aberto contra ele por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e
organização criminosa, vai continuar sob responsabilidade do advogado Antonio
Cláudio Mariz de Oliveira, reconhecido como expoente da advocacia criminal. Mas
ele não cuida da delação de Leite.
A
primeira delação da Lava Jato foi feita por Paulo Roberto Costa. A criminalista
Beatriz Catta Preta conduziu seus depoimentos junto à Polícia Federal, ano
passado, e, hoje, o ex-diretor da Petrobrás cumpre pena em prisão domiciliar.
Outros
alvos da Lava Jato também estão em liberdade após acordo de delação premiada
com intermediação de Catta Preta. Augusto Mendonça e Julio Camargo, que agiam
pela empreiteira Toyo Setal, e Pedro Barusco, ex-gerente de Engenharia da
Diretoria de Serviços da Petrobrás, reduto do PT, nem chegaram a ser detidos,
dado o alto grau de colaboração a que se prestaram.
Pela
especialidade, Catta Preta recebeu de seus detratores o apelido de “Senhora
Delação”.
Pierpaolo
Bottini, que representa Dalton Avancini, da Camargo Corrêa, disse que “a
colaboração é mais um instrumento que pode ser levado em consideração, desde
que o advogado advirta o cliente de sua gravidade e consequências”.
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