A prisão do primeiro senador no exercício do mandato desde a redemocratização ainda constrange o Senado. Mas Delcídio do Amaral (PT-MS) está longe de ser o único com problemas na Justiça. De cada dez senadores, quatro estão sob investigação no Supremo Tribunal Federal (STF). Dos 81 integrantes da Casa, pelo menos 31 respondem a inquérito ou ação penal na mais alta corte do país. Quase metade dos investigados representa o PMDB e o PT. Juntos, esses dois partidos têm 14 nomes na lista dos senadores sob algum tipo de acusação criminal. Os dados são de levantamento feito com exclusividade pelo Congresso em Foco.
Entre os 19 peemedebistas com assento na Casa, nove são investigados por algum tipo de crime. Na mesma situação se encontram cinco dos 13 petistas. Em seguida, aparecem o PP e o PSDB com quatro parlamentares cada. Na bancada do Partido Progressista, apenas Ana Amélia (RS) e Wilder Morais (GO) não respondem a inquérito ou ação penal. Há 11 tucanos no Senado.
As suspeitas vão de crimes de corrupção, contra a Lei de Licitações e eleitorais até delitos de menor gravidade, como os chamados crimes de opinião.
Lava Jato
Ao todo, 14 senadores são investigados na Operação Lava Jato – do líder do PT, Humberto Costa (PE), ao presidente do oposicionista DEM, José Agripino Maia (RN). Entre eles, apenas Fernando Collor (PTB-AL) foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República por corrupção e lavagem de dinheiro. Já Delcídio virou alvo de denúncia por tentar obstruir a Justiça. O ex-presidente é alvo de outros três inquéritos. Relator da Lava Jato no Supremo, o ministro Teori Zavascki ainda não marcou data para examinar a denúncia.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), também responde na Lava Jato a cinco inquéritos por lavagem de dinheiro, formação de quadrilha e corrupção passiva.
O senador ainda é alvo do Inquérito 2593, que apura denúncia que o levou a renunciar à Presidência do Senado, em 2007. Desde janeiro de 2013, há um parecer da Procuradoria-Geral da República oferecendo denúncia contra o parlamentar no caso. Dois anos e meio depois, o pedido não foi analisado. Renan é acusado de peculato, falsidade ideológica e uso de documento falso.
JOSÉ AGRIPINO
No RN, apenas o Senador José Agripino tem pendência no Supremo, Presidente nacional do DEM, o senador é acusado por um delator de ter recebido R$ 1 milhão fruto de um esquema de fraudes no Detran-RN. Agripino é mencionado em delação premiada feita por um empresário potiguar na Operação Sinal Fechado. George Olímpio disse ter pagado propina para aprovar, na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, lei sob medida para os seus negócios no Detran estadual. O senador foi um dos beneficiados, segundo ele. O caso tramita no Supremo como Inquérito 4011, por corrupção passiva.
Em nota à imprensa, Agripino diz não entender as razões que levaram à “reabertura deste assunto” no STF. Ele diz que o próprio acusador já o havia isentado de participação no esquema. A fraude, de acordo com a delação, começou com a prestação de serviços de cartório de seu instituto para o Detran do Rio Grande do Norte. Cabia à empresa de George cobrar uma taxa de cada contrato de carro financiado no estado: a cada R$ 75 cobrados pelo serviço, R$ 15 foram distribuídos como propina a integrantes do governo entre 2008 e 2011, de acordo com o empresário.
Ele ainda é alvo do Inquérito 4141, da Operação Lava Jato, por corrupção no caso que envolve a construção do estádio Arena das Dunas.
VEJAM A RELAÇÃO DOS SENADORES COM PENDÊNCIAS NO STF:

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