quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O Brasil apodreceu, viva Antônio Conselheiro

Por Tirso Renato Dantas

NO BRASIL NÃO TEM LIDERANÇAS, TEM FACÇÕES DISPUTANDO O PODER

Sinceramente não posso mais acreditar no Brasil..

A interferência do STF no resultado da sessão da Câmara Federal que escolheu os deputados para compor a Comissão Especial do Impeachment demostrou que o Poder Legislativo do Brasil perdeu seu poder, e quando o parlamento perde suas atribuições e se apequena diante dos outros poderes estamos vivendo numa ditadura.

O poder que fala pelo o povo é o Legislativo, o Executivo cumpre o que foi programado pelo Legislativo e o Judiciário faz cumprir a legislação.

Não tenho a menor admiração pelo presidente Eduardo Cunha, mas, seja qual for a decisão do Poder Legislativo, ela tem que vigorar.

Aprendi na minha tumultuada, mas orgulhosa carreira política, que no parlamento vale a decisão da maioria.

Claro que tem que existir regras, mas as regras são feitas pela maioria, então, neste caso, a maioria é soberana.

O plenário da Câmara dos Deputados reuniu-se para escolher, por votos secretos, os nomes dos deputados para compor a Comissão. A decisão da escolha por votos secretos foi do presidente Eduardo Cunha que foi contestada pelos parlamentares do governo. Mas, os mesmos deputados que protestaram contra o voto secreto, foram votar secretamente a favor da presidenta Dilma. Quero dizer que se eles não concordassem com o voto secreto, não deveriam terem votado. Caso a maioria dos 513 deputados tivessem se recusado a participarem da votação obstruindo o processo, não teria ocorrido a votação. Não havendo a votação não teria sido escolhida a lista. A obstrução é o remédio no parlamento para a minoria não engolir a maioria. Como dizia o saudoso deputado Vingt Rosado: ” A roda grande não passa por dentro da pequena.”

Agora, 272 deputados votando contra o governo e 199 votando contra, significa dizer que 471 deputados dos 513 participaram do processo de votação, ou seja, uma grande maioria da composição da Casa, então, neste caso, o processo foi validado.

O pior e mais brutal da democracia brasileira é o fato de um ministro do STF interromper, mesmo que provisoriamente, uma decisão do poder mais representativo e plural da nação. Será que a decisão sendo favorável ao governo, o ministro do STF teria interrompido o processo de impeachment?

Quero ressaltar que não sou a favor do afastamento da presidenta Dilma, entendo que ruim com ela, mas muito pior com os tucanos e uma tragédia com o PMDB de Temer.

Agora o que está acontecendo no Brasil é uma palhaçada..

Se eu pudesse fazer alguma coisa, encanaria o espirito de Antônio Conselheiro e criava novamente a república de Canudos. Nem um puteiro é tão desorganizado como o Brasil.

Antônio Conselheiro foi filho do comerciante Vicente Mendes Maciel e de Maria Joaquina de Jesus, Antônio Vicente Mendes Maciel ficou órfão da mãe aos seis anos. Estudou aritmética, português, geografia, francês e latim. Entre suas leituras preferidas estavam as aventuras do imperador Carlos Magno e dos 12 pares de França.

Aos 27 anos, perdeu o pai e começou a cuidar da loja da família, com a qual sustentava as quatro irmãs. Ficou dois anos à frente do negócio e, depois, passou a dar aulas numa escola de fazenda. Graças aos seus estudos e esforço pessoal, tornou-se escrivão de cartório, solicitador (encarregado de encaminhar petições ao poder Judiciário) e rábula (advogado sem diploma). Estaria encaminhado profissionalmente, caso um problema pessoal não viesse mudar radicalmente sua vida.

Depois de casado, Antônio Maciel foi traído pela mulher que fugiu com outro homem. Transtornado pela humilhação, começou a perambular sem destino certo pelo interior do Ceará e de outros Estados do Nordeste, talvez à procura dos fugitivos. Para sobreviver, trabalhou como pedreiro e construtor, ofício aprendido com o pai. Restaurava e construía capelas, igrejas e cemitérios.

Esse trabalho e as pregações do padre Ibiapina – que peregrinava pelo sertão fazendo obra de caridade – influenciaram Antônio Maciel. Ele passou a ler os Evangelhos e a divulgá-los entre o povo humilde, ouvindo também os problemas das pessoas e procurando consolá-las com mensagens religiosas. Devido aos conselhos, tornou-se conhecido como Antônio Conselheiro e arrebanhou um número crescente de seguidores fiéis que o acompanhavam pelas suas andanças.

À medida que a simpatia dos pobres por ele aumentava, surgiam também os inimigos, que se sentiam prejudicados. Por um lado, os padres, que viam seu prestígio diminuir diante das pregações de um leigo. Por outro, os latifundiários, que viam muitos empregados de suas fazendas abandonarem tudo para seguir o beato.

Em 1874, o Conselheiro e seus seguidores se fixaram perto da vila de Itapicuru de Cima, no sertão da Bahia, onde fundaram o arraial do Bom Jesus. Dois anos depois, acusado de ter assassinado a esposa, Antônio Conselheiro foi preso e mandado para o Ceará, onde o julgamento comprovou sua inocência.

Entretanto, seu fervor religioso aumentou durante a temporada na prisão. Da mesma maneira, aumentou seu prestígio entre os pobres, que passaram a vê-lo como um mártir. Mais gente se reuniu a sua volta e o acompanhou sertão afora, por andanças que duraram 17 anos. Em 1893, ele se estabeleceu definitivamente numa fazenda abandonada às margens do rio Vaza-Barris, numa afastada região do norte da Bahia, conhecida como Canudos.

Ali, fundou um povoado, que chamou de Belo Monte. Rapidamente, o vilarejo se transformou numa cidade cuja população é estimada entre 15 mil e 25 mil habitantes (há controvérsia entre os historiadores).

Canudos prosperou e se tornou incômoda para as autoridades políticas e religiosas locais, que procuravam um pretexto para acabar com ela.

Um problema comercial acerca de uma compra de madeira na cidade de Juazeiro deu motivo para que uma tropa de soldados da polícia baiana investisse contra os seguidores do Conselheiro em novembro de 1896.

A derrota dos policiais deu início a um conflito que ficou conhecido como Guerra de Canudos, que assumiu enormes proporções. Mobilizaram-se tropas do exército em três expedições militares que, enfrentando enorme resistência da população de Canudos, promoveram um massacre no arraial. O confronto estendeu-se até 5 de outubro de 1897, quando o exército tomou definitivamente o arraial. Antônio Conselheiro morrera poucos dias antes, não se sabe exatamente como.

Na terra de Canudos existiam duas regras básicas e primordiais: não podia faltar sob hipótese nenhuma educação para as crianças, jovens e adolescentes e trabalho para os adultos.

O sonho dele era fundar uma república justa com oportunidades para todos.

O Brasil deveria ser dividido e o Nordeste independente.

Em Canudos foi o único lugar do Brasil onde existiu, justiça social, disciplina, ordem e progresso.

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