Por:
Maciel Marílio
Certa
vez li em um almanaque antigo, o seguinte provérbio: “Bendito aquele que
consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. O provérbio é de certo modo um
paradoxo. Asas nos dão liberdade, raízes fixam os nossos pés no chão. Se nos
fosse dado a escolher entre asas ou raízes, certamente escolheríamos a
primeira. O sonho maior de todo menino sempre foi voar. Em outras palavras,
queríamos alcançar o inalcançável, ir além do horizonte, viajar para lugares
distantes. Enfim, alcançarmos a felicidade. Quem experimenta asas, dificilmente
lembra-se das raízes. Esse é o risco, pois, voar requer condições favoráveis.
E, quando não temos estas condições, devemos lembrar que é hora de pôr os pés
no chão. É aí que precisamos de raízes. Nelas, descobrimos acima de tudo, segurança.
Família é uma raiz forte. Outra raiz é o lugar em que nascemos, nos criamos e
crescemos. É desta raiz que gostaria de falar. É o lugar em que falamos que é
nosso. É o meu lugar. Na verdade, é algo umbilical. Dizemos que é nossa cidade,
os outros dizem que nós quem somos dela. Já morei em várias cidades diferentes,
mas nenhuma delas consegue fazer com que eu me sinta realmente pertencente ao
lugar. Há algumas cidades no país e no mundo em que eu gostaria de morar (pelas
facilidades), mas para viver, a cidade ideal é a que eu nasci e me criei. Isso
é espantoso. É como se fôssemos responsáveis pela nossa cidade, queremos bem.
Não seria espantoso se não tivéssemos raízes nenhuma. É o lugar em que demos
nossos primeiros passos, aprendemos as primeiras palavras, formamos os nossos
amigos que serão lembrados para a vida toda, tivemos nossa primeira professora,
demos trabalho para nossas mães, jogamos bola em campo de poeira, tibungamos em
águas barrentas de açudes e rios e tivemos nossa primeira namorada. É isso que
nos une como um laço e nos cativa para o resto de nossas vidas. É isso que
torna nossa cidade especial e mais importante que qualquer outra. Que outro
lugar poderia nos marcar tanto a ponto de esquecermos as nossas raízes?
Sinceramente, não acredito que haja. Isso é afeto, carinho, amor pelo nosso
lugarzinho. É a nossa casa. É o lugar que nos acolhe como nenhum outro. É
preciso que saibamos que as cidades não nasceram por si. É uma invenção humana
como qualquer objeto, como uma cadeira, uma mesa, uma televisão, uma roupa. Com
uma diferença para esses objetos inanimados, as cidades nascem e algumas vezes,
morrem. O desejo é que nossa cidade cresça, desenvolva-se e seja o lugar em que
cada um de nós possa viver todos os dias de nossas vidas. Para isso, precisamos
ter um compromisso com ela. Um compromisso de responsabilidade. Como é a cidade
que queremos pra daqui a 20 anos? É mais moderna, tecnológica, sustentável, com
menos violência e mais educação? Todos nós temos que pensar sobre isso. Essas
ações só poderão ser implementadas quando toda a sociedade se unir. Nossa terra
querida é maior que as disputas políticas locais. Precisamos de políticos
modernos e comprometidos com o desenvolvimento local. Enquanto esse momento não
chega, os que estão aí, em lugar de disputarem espaço para saber quem manda
mais ou pode mais, haveriam de se unir, em espírito cívico, pelo bem de Japi e
da sociedade à qual servem. É impressionante o tempo e o dinheiro que se perde
cultivando vaidades e caprichos no âmbito de uma política mesquinha, em vez de
ceder espaço à eficiência de uma administração moderna e abrangente, onde todos
participem e contribuam para que o nosso lugar seja de fato o melhor do mundo.
A população precisa participar ativamente de uma governança pública de classe
municipal e regional sustentada em um processo democrático consolidado.
Construamos uma cidade de referência regional e até estadual, onde pessoas,
empresas e governo municipal estejam organizados e conectados, sustentando o
desenvolvimento humano. Precisamos traçar metas claras. Que toda a sociedade
organizada faça de sua cidade uma referência na educação de cidadãos produtores
de conhecimento e criadores de uma sociedade empreendedora de soluções
inovadoras e sustentáveis. A ideia é elevar a qualidade da educação, dar
oportunidades para que as pessoas desenvolvam suas aptidões e tenham acesso à
cultura. Você que é jovem, divulgue suas ideias para as políticas públicas. Ao
poder público: para se elevar a qualidade de vida na cidade, é preciso melhorar
a saúde, acessibilidade e segurança de seus cidadãos. É prioridade fazer de
Japi um ambiente que contribua para a alegria, o sucesso e a satisfação da
população. Isso não é utópico nem irrealizável. É perfeitamente possível.
“Bendito aquele que consegue dar aos seus filhos asas e raízes”. Infeliz será
aquele que apenas tiver um dos dois. Parabéns para nossa querida cidade Japi e
para todos nós japienses que nos orgulhamos de pertencer a esse pedacinho de
chão.
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